UmEm João 10:30 Jesus diz: “Eu e Pai somos um“. Segundo a doutrina trinitariana Jesus afirmava sua posição como Deus ao se igualar ao Pai. Se ele disse que é um com o pai, para os trinitarianos, deve significar que ele é Deus. No entanto, se na doutrina trinitariana o Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade, por qual motivo ele foi excluído aqui? Por que Jesus não disse, “Eu, o Pai, e o Espírito Santos somos um?” Além disso, Jesus também diz em João 17:3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”, João 17:3. Para termos a vida eterna devemos conhecer apenas duas pessoas, o Pai e o seu Filho? E o Espírito Santo não?

A terceira pessoa da Trindade também não sabe a hora e o dia da Vinda de Jesus: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai”,  Mateus 24:36Da mesma forma Mateus 16:27 cita o Filho, o Pai e os anjos, mas não cita o Espírito Santo na Vinda do Senhor: “Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos”, Mateus 16:27. O Espírito Santo não vem?

E novamente: Jesus e o Pai são um sem o Espírito SantoProvavelmente a resposta trinitariana será a mesma de sempre: “É um mistério”. Esse mistério é um mistério, é só. Esse é um tema onde o silêncio é ouro – para os  trinitarianos é sagrado, não se pode tocar.  Essa é a desculpa mais esfarrapada de todos os tempos!

“O maior problema da doutrina da Trindade não é o fato dela conter um mistério, mas o fato dela conter contradições lógicas cuja resolução é impossível. Há muitos mistérios para os quais não há explicação na Bíblia. O que não podemos fazer é transformar tais mistérios em doutrinas fundamentais” ( RICOTA, Ricardo, “Eu e Pai somos um”, pág. 13. Terceira Edição – 2008).

Infelizmente nossa cultura foi extremamente influenciada pelo Catolicismo Romano, que fez da doutrina da Trindade uma constituição de fé, e que tem afetado todos os ramos da religião no mundo inteiro. Porém, é bom que se saiba:  a doutrina da Trindade é um monopólio Católico, criada e desenvolvida séculos depois da morte dos apóstolos.

Jesus e Deus são um como?

Jesus é chamado de Filho mais de 200 vezes em todo o NT; o Pai é referido como distinto do Filho mais de 200 vezes. Ao longo de 50 vezes  o Filho e o Pai são mencionados no mesmo versículo. Ainda encontramos saudações de Paulo com graça e paz para Deus Pai e o Senhor Jesus Cristo. Jesus se identifica como o Filho de Deus por toda a Bíblia. Ele é sempre colocado em pé de igualdade com o Pai, sendo capaz de dar graça ao crente.

Em Mateus  26:39-42 encontramos Jesus orando no Getsêmani, clamando para que não fosse feita a vontade dele, mas a de Deus. Observem que no Getsêmani Jesus está lutando sobre algo que por um momento ele pensou que poderia ser evitado, que se passasse dele o cálice. Ele está perguntando se há uma outra maneira para que ele pudesse cumprir a missão. Isso demonstra que ele tem a sua própria vontade humana, que poderia entrar em conflito com a vontade de  Deus.

No contexto em Lucas podemos ler,

“… passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.“, Lucas 22:42.

Em outra ocasião ele afirma,

“… não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou”, João 5:30.

Isso  causa algumas dificuldades para a cristologia  convencional, pois estes  afirmam categoricamente que todos os participantes da trindade tem a natureza de serem subservientes uns aos outros, mas esquecem que Jesus aqui falava e agia  como homem que era na condição de último  Adão. Ele podia  ter vontade diferente de outro membro da trindade, o próprio Deus? “… Eu não busco a minha vontade”. Aqui, como servo submisso que foi, ele obedece sem questionar o comando (“a vontade daquele que me enviou”). Jesus admite subordinar sua vontade própria e distinta, o que é contrário à doutrina trinitariana que visualiza Jesus na terra como Deus, quando garante que todos as pessoas da trindade devem ter a mesma vontade.

Se Jesus tivesse vindo como Deus, um ser divino, transcendental, não humano, ele não sentiria esse tipo de reação contrária a vontade de Deus. Quem poderia admitir que um dos parceiros trinos tivesse que renunciar a sua própria vontade em favor da vontade de outro membro da Trindade? Não tinham eles todos a mesma vontade? É por isso que muitos são acusados de negar a divindade de Cristo; na verdade, é porque eles reconhecem que Deus e Jesus são duas pessoas, não uma.

Lemos em João 20:17,Jesus disse-lhe: Não me toques, porque eu ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai, E o seu pai, e para meu Deus e vosso Deus“.  Jesus afirmou que havia uma distinção entre ele e Deus. Em outras palavras,  o próprio Jesus tinha um Deus. Portanto, ele não era o próprio Deus. Estas são várias maneiras diferentes e opostas; em algumas passagens vemos que ele e Deus são um, em outras Jesus  se refere a uma autoridade maior do que ele, que é Deus. Agora, assumindo que todas  são declarações corretas, então temos uma contradição. Se, por exemplo, Jesus Cristo era o próprio Deus como afirmam sobre João 10:30,  então seria mais apropriado para ele dizer “… eu mesmo e eu mesmo somos um”.  E em João 20:17 ele deveria dizer  no fim do versículo que ele iria subir “para mim mesmo  e vosso Deus”, ou, “Eu mesmo, por que me desamparaste?” em Mateus 27:46.

Tanto quanto em João 20:17 como  em Mateus 27:46   está  muito claro que Jesus tinha um Deus que ele orou, e que foi uma autoridade maior que a sua própria. Podemos fazer isso com outros versículos da Bíblia que dizem: “Eu não posso de minha própria vontade fazer nada: conforme ouço, assim julgo, e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou. “(João 5:30). Além disso, Jesus disse : “… porque meu Pai é maior do que eu” (João 14:28). Se Jesus e Deus eram a mesma pessoa, literalmente interpretando, então ele não teria dito o que disse nos versos acima.

A única maneira de João 10:30 poder ser interpretado de tal forma que ele não contradiga todos os outros versículos é dizer que Jesus e Deus tinham tudo em comum. O próprio versículo refuta que Jesus é o Pai. O verso  mostra duas pessoas distintas (… Eu + meu Pai = 2). Então, isso deve significar que os dois estavam sempre em comunhão, estavam de acordo em tudo, como também é necessário dizer  que Jesus era a própria imagem de Deus, pois era seu filho. Todos os versículos que parecem dizer que Jesus foi Deus enquanto aqui andou, devem ser entendidos segundo a palavra de Paulo, quando afirma que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”, 2 Co 5:19.

O sentido de dizer que Ele e o Pai são um, também deve significar que ele foi enviado debaixo da autoridade do Deus de Israel e, que ele, além de ser Filho, veio como seu porta voz. Ele foi a  autoridade de Deus em missão para os judeus. Portanto, nesse contexto é que devemos aplicar  palavras  como: “Quem vê a mim vê o Pai”, “Eu e o Pai somos um”, “Deus conosco”, “Meu Senhor e meu Deus”  e similares.

Em João 10:31, vemos que os judeus interpretaram  mal o que Jesus queria dizer com “Eu e meu Pai somos um”. Parece claro que Cristo nessa ocasião não fazia referência à essência do ser, mas sim à união de parecer entre ambos. Por isso que ele diz em seguida sobre seus discípulos: “Para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21)

Se nós também somos um com Cristo e Deus, então parece-me óbvio que Jesus não estava falando de essência aqui (ou senão teríamos a mesma essência divina de Deus!), mas sim de união de parecer em um só pensamento, em comunhão com o Pai e termos semelhantes. Doutra forma não faria sentido dizer que estava rogando “para que SEJAM um, assim como somos um” (João17:11). Que sentido teria orar para que SEJAM “um em essência”, se todos os humanos tem a mesma essência humana de qualquer jeito?

Observe a palavra “assim como” se referindo a similaridade de unidade que existe tanto entre Deus e Cristo, como também entre Cristo, Deus  e seus seguidores: “Que sejam um assim como nós somos um”. Se Jesus, ao dizer, “Eu e o Pai somos um”, quer deixar claro que é Deus da mesma forma que o Pai é, então, somos todos Deus, pois em João 17:21 Ele diz com relação a ser UM COM seus discípulos: “ASSIM COMO tu ó Pai, és em mim, e eu em ti”, e vai além quando ora para os díscipulos serem um com ele e Deus nas palavras “… que também eles sejam um em nós“.

Muito oportuno observar quando Paulo fala de seu companheiro Apolo que revisitava os locais onde ele mesmo já havia pregado. Paulo disse: “Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho”, 1 Coríntios 3:5-7.

Concluiríamos destas palavras que Paulo e Apolo eram uma só pessoa? Paulo não queria dizer que ele e Apolo eram duas pessoas em uma; ele quis dizer que eles estavam unidos em propósito. A palavra grega que Paulo usou ali para “um” (hen) é neutra, literalmente “uma só (coisa)”, indicando unicidade de cooperação. É a mesma palavra que Jesus usou em João 10:30 para descrever a sua relação com o seu Pai. É também a mesma palavra usada por Jesus em João 17:21, 22 com relação aos discípulos serem um entre si e com ele e Deus. A palavra “um” (hen) nestes casos, fala a respeito de união de pensamento e de propósito.

João 10:30 não prova a trindade! O escritor inspirado, insisto, usa a palavra “um” ( do grego hen) que é neutra, ou seja, de um modo geral aplicada a coisas impessoais. Obviamente seriam “um” em propósito e não como pessoa. Aplicar João 10:30 da forma como fazem alguns trinitários é não somente gramaticalmente errado, como também ignora as declarações claras da Bíblia onde Cristo e o Pai são diferenciados. Em João 5:32,37 Jesus disse claramente : “outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro… E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer”.

É interessante observar também que Jesus não teve a menor intenção de citar a palavra “Deus” na frase “Eu o e o Pai somos um”. Muito interessante observar o que ele não disse: “Eu e Deus somos um”. Há uma infinidade de textos que demonstam que o Filho é diferente do Pai e que estes não são a mesma pessoa. Jesus disse em João 14:28 : “…Vou para o Pai; porque meu Pai é maior do que eu”.

Além disso, Jesus chama seu Pai  de “O único Deus verdadeiro” (João 17:3). Observem que o Pai de Jesus é o Deus de Jesus, Aquele a quem ele chama de “meu Deus” em João 20:17. Além disso, mais de 60 anos após a ascensão, Jesus continua chamando o Pai de “Meu Deus” em Apocalipse 3:12: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”. Lembre-se que isto foi falado por Cristo após ter subido ao céus.

A ortodoxia tradicional ignora o que seja linguagem figurada nesse tipo de contexto como o de João 10:30. Eles lateralizam onde não é permitido.

Volte para o episódio com Tomé e Felipe para que você caro leitor possa entender melhor o que quero dizer. Veja o que Jesus, ao responder a uma pergunta de Tomé, disse: “Se vós me tivésseis conhecido, teríeis também conhecido meu Pai; deste momento em diante vós o conheceis e o tendes visto”, e, em resposta a uma pergunta de Filipe, Jesus acrescentou: “Quem vê a mim, vê também o Pai” (Jo 14:5-9) A explicação seguinte de Jesus mostra que isto se dava porque ele, Jesus, representava fielmente o Pai, falava as palavras do Pai e fazia as obras do Pai (Jo 14:10, 11; compare isso com Jo 12:28, 44-49).

Que a declaração de Jesus sobre ver o Pai devia ser entendida figurativamente, e não de forma literal, evidencia-se na sua própria declaração em João 6:45, bem como no fato de que João, muito depois da morte de Jesus, escreveu: “Nenhum homem jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o tem revelado”, Jo 1:18; 1Jo 4:12.

O que João 10:30 não significa 

Muitos dizem que o sentido de João 10:30 foi o de Jesus realmente se igualar a Deus, o Pai em essência, porque no verso seguinte se vê uma tentativa de apedrejamento por parte dos judeus. Eis a sequência preferida dos trinitarianos: “Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar. Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejaisOs judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”, João 10:30-33

Pelo motivo de o verso sobre o apedrejamento ser seguinte a expressão “Eu e o Pai somos um”, a interpretação imediata é que a blasfêmia, assim entendida pelos judeus, seria por essa afirmação, mas a informação textual não para no verso 33. Veja o verso 36: “àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, dizeis vós: Blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus?”

O curioso do estudo dessa passagem bíblica é que todos reconhecem a visão errada dos judeus, principalmente a má interpretação que os fariseus sempre fizeram das palavras de Jesus em todo Novo Testamento, que estes constantemente o acusavam enganosamente, mas surpreendentemente os que defendem a co-igualdade entre Cristo e Deus acham, agora, que os fariseus haviam entendido acertadamente (?), de forma indubitável, que Jesus teria afirmado ser o próprio Deus ao invés de ser mais uma das falsas afirmações farisaicas acerca de Jesus, mas o Mestre mostra o engano de ambos ao continuar o diálogo e explicita que não haveria motivo para espanto.

Está claro no fechamento das palavras de Jesus: “dizeis vós: Blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus?”, que a causa foi a afirmação ocorrida varias vezes, desde o verso 10 do capítulo, que Deus era seu Pai.

Ele apenas disse ser Filho de Deus, e para os judeus esse era o motivo pelo qual ele se fazia igual a Deus. Já havia acontecido antes: “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”, João 5:18. Quem disse que Jesus estava fazendo-se igual a Deus não foi Ele. Ele se defendeu contra essa falsa acusação logo no versículo seguinte (João 5:19): “Retomando a palavra, Jesus lhes disse:  . . . o Filho, por si mesmo, nada pode fazer mas só aquilo que vê o Pai fazer.”

Com isso, Jesus mostrou aos judeus que ele não era igual a Deus e que, por conseguinte, não podia agir por iniciativa própria. Podemos imaginar alguém igual ao Deus Todo-poderoso dizer que, “por si mesmo, nada pode fazer?”

Portanto, não foi por causa de dizer “eu e o Pai somos um” que Jesus foi ameaçado de apedrejamento, mas por ter falado que é Filho de Deus. E ele disse isso antes das palavras “eu e o Pai somos um”. Porém, suas palavras foram inseridas dentro de um  contexto messiânico mediador! Essa foi a causa de todo o problema.

Observe o tom do Senhor Jesus nos seguintes versículos do mesmo capítulo:

Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.

Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.

Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.

Tornou, pois, a haver divisão entre os judeus por causa destas palavras”, João 10:15-19.

Veja na sequência a ousadia do Senhor novamente. Sua missão e a citação do Pai : “Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim.

Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito.
As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem;

E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão”, João 10:25-28.

Dizer que era o Filho de Deus com a missão agravou em muito levando a situação para um apedrejamento, o que os judeus viam como blasfêmia de se fazer igual Deus. Veja novamente no final do capítulo:

Aquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?”, João 10:36.

Vou finalizar o artigo com as palavras de três eruditos trinitarianos. Eles são protestantes, mas, repito: SÃO TRINITARIANOS!

W.E. VINE abordando o tema referente “… Eu e o Pai somos um”, declara: “… metafóricamente [figurativamente] união e acordo, exemplo: João 10:30;11:52; 17:11, 21,22…”- An Expository Dictionary of New Testament Words, p. 809.

O erudito William Barclay escrevendo em seu diário Daily Study Bible Series, O Evangelho de João, vol. 2, A Imprensa Westminster, 1975, pp 74, 75, 76 diz:

“Agora chegamos à afirmação suprema [de João 10:30]. “Eu e o Pai somos um”, disse Jesus. O que ele quis dizer? É um mistério absoluto, ou se pode compreender pelo menos um pouco dele? Somos levados a interpretá-la em termos de essência e hipóstase e todo o resto das noções metafísicas e filosóficas sobre as quais os fabricantes de credos lutaram e defenderam? Precisaríamos ser um teólogo ou um filósofo a fim de compreender até mesmo um fragmento do significado desta tremenda declaração?”

“Se recorrermos a própria Bíblia para a interpretação”, continua Barclay, nós achamos que ela é na verdade tão simples que a mente mais simples pode compreendê-la. Voltemo-nos para o décimo sétimo capítulo do Evangelho de João, que fala da oração de Jesus para seus seguidores antes de sua morte: “Pai Santo, guarda em teu nome, que me tens dado, para que eles sejam um, como nós somos um” (João 17:11). Jesus concebeu a unidade dos cristãos com cristãos  como a mesma que a sua unidade com Deus”.

“Aqui está a essência da questão. O vínculo de unidade é o amor, a prova de amor é a obediência. Os cristãos são “um” com os outros quando eles estão ligados pelo amor, e obedecer as palavras de Cristo. Jesus é um com Deus, porque, como nenhum outro jamais fez, ele obedeceu e o amava. Sua unidade com Deus é uma unidade de amor perfeito, mostrando perfeita obediência.”

“Quando Jesus disse: “Eu e o Pai somos um“, ele não estava se referindo ao mundo da filosofia e da metafísica e abstrações, ele estava se referindo ao mundo das relações pessoais. Ninguém pode realmente entender o que uma frase como ”uma unidade de essência” quer dizer, mas qualquer um pode entender o que significa uma unidade de coração, a unidade  que Jesus com Deus veio a partilhar tanto o amor perfeito quanto a obediência perfeita. Ele era um com Deus porque ele o amava e lhe obedeceu perfeitamente …”.

O trinitário Robert Young comentou sobre esse reconhecimento da palavra “um” em João 10:30 em sua obra  Young’s Concise Critical Bible Commentary: “A partícula [hen] que está no gênero neutro, dificilmente pode significar” um ser, ou seja, um só Deus ‘, mas sim “um na vontade, em propósito, conselho, …” – pg. 62, Baker Book House, 1977.

João Calvino (que era trinitarista) disse no livro Commentary on the Gospel According to John (Comentário do Evangelho Segundo João): “Os antigos usaram mal essa passagem para provar que Cristo é . . . da mesma essência que o Pai. Pois Cristo não argumenta a respeito da unidade em substância, mas sim a respeito do estado de concordância dele com o Pai.”

Verdadeiramente, então, não há absolutamente nenhuma evidência de uma interpretação “trinitária” em João 10:30.

Precisamos apenas ser coerentes com a verdade!

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