AbraaoA chamada Ortodoxia Cristã defende ter sido Jesus o próprio Deus em pessoa quando esteve neste mundo; afirmam que o grego ego eimi, “eu sou”, é uma técnica de linguagem intencional implementado por Jesus para invocar o nome de Deus e identificar-se como o Senhor Deus. Quando Jesus disse: “Eu sou”, neste contexto [João 8:58], deve ser entendido – dizem eles – para ser uma citação de referência a Deus para Si mesmo como EU SOU em Êxodo 3:14.

Nesse versículo, quando Moisés perguntou o nome de Deus, Deus respondeu: “EU SOU O QUE EU SOU” e, em seguida, disse: “Assim falarás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a você. “A Septuaginta (tradução grega do Antigo Testamento) torna” EU SOU O QUE EU SOU “, como o ego eimi em, e depois, a segunda frase, “EU SOU”, como simplesmente “O em” . Deus não estava dizendo “EU SOU EU SOU.” A frase “EU SOU O QUE EU SOU”, literalmente, significa “eu sou o ser” ou “Eu sou o único auto-existente”. No entanto, Jesus não reivindicou este título. Observem o texto: “Disse lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão fosse eu sou”, João 8:58

Jesus não falava Grego, língua em que o Novo Testamento foi escrito. Escreveram as palavras de Jesus em grego, idioma que ele não falou! Essa teoria mirabolante de que Jesus disse “Eu Sou”, para afirmar que ele é Deus, é um tremendo equivoco.

Vamos analisar os versículos anteriores a este: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu o, e alegrou se“, v. 56. Os judeus estavam entendendo as palavras de Jesus de forma equivocada: “Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão?” Jesus não disse isso. Foi o contrário: Abraão viu Jesus e não Jesus viu Abraão. Então, vem verso chave: : “Disse lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão fosse eu sou”, João 8:58

O significado é outro, muito diferente daquele proposto pela teologia convencional. Jesus foi conhecido antes da fundação do mundo como o cordeiro que foi morto nos propósitos de Deus como também foi profetizado em Gênesis 3:15 e nas palavras de 1 Pedro 1:20. Pedro diz: “Ele foi conhecido antes da fundação do mundo, mas manifestado nesses últimos tempos por amor de vós”. Além disso, Abraão viu Jesus na provisão do cordeiro quando ele estava para sacrificar seu próprio Filho. Ninguém melhor que Abraão poderia ter entrado aqui nas palavras de João 8:58.

Jesus dizer que era antes de Abraão significa que ele era predestinado a vir desde antes da criação do universo. Era o Messias anunciado e predestinado a vir desde sempre, portanto antes de Abraão. E foi exatamente o que ele disse: “Eu Sou antes de Abraão” . Ele estava dizendo que era o Messias que havia de vir e estava nos planos de Deus antes mesmo de existir de fato: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo“, João 17:24

Além disso, na ocasião da sarça no monte Sinai, era literalmente um anjo que falava com Moisés do arbusto que ardia em fogo, não o próprio Senhor.

Êxodo 3: 2, afirma: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia”. Estêvão, nos registros do NT, em Atos 7:30, declara: “E, completados quarenta anos, apareceu-lhe o anjo do Senhor no deserto do monte Sinai, numa chama de fogo no meio de uma sarça”. Ele confirma a mesma coisa quando diz aos judeus em Atos 7:53, “vocês, que receberam a Lei por intermédio de anjos, mas não lhe obedeceram”.

Logo,  é claro que era um anjo do Senhor que falava com Moisés como representante de Deus, falando e agindo em nome de Deus na ocasião do Sinai, e não o próprio Deus. Deus  estava falando e revelando Sua glória a Moisés, mas o fez através de um anjo. Se os trinitarianos acreditam que o EU SOU do monte Sinai era o próprio Jesus, então devem admitir que ele era um anjo, o que não é verdade.

Eles, os trinitários, também acreditam que um dos três anjos que visitaram Abraão era Jesus. E vão além, pois acreditam que até Melquizedeque era o próprio Messias. Imaginem vocês caros leitores: Melquizedeque era o Messias! Alguém precisa com urgência perguntar aos trinitarianos quantas vezes o verbo se fez carne.

Porém, quantos aos anjos que visitaram Abraão e que foram até Sodoma socorrer Ló, é nos dito que eles falaram, orientaram e serviram de guias, como também o anjo no Sinai. No entanto, a Bíblia esclarece que o Filho de Deus somente falou nos últimos dias: “HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”, Hebreus 1:1.

Jesus não existia no Velho Testamento. Fosse assim, Deus não teria dito que criou tudo SOZINHO: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra”, Isaias 44:24.

A tradução da Almeida Corrigida e Fiel enfatiza mais ainda: “Assim diz o SENHOR, teu redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o SENHOR que faço tudo, que sozinho estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo”.

É importante lembrar aqui que foi o próprio Cristo quem descreveu a criação original como sendo trabalho de Deus, não dele: “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá”, Marcos 13:19. Compare com  Heb 4:4, onde Deus, não Jesus, descansou da obra da criação, “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia”.

Veja meu artigo “Façamos o Homem” para maiores detalhes

Portanto, o que o texto favorito prova em João 8:58, que Jesus existiu antes de Abraão? Será que Jesus confundiu tudo depois, dizendo por um lado que somente o Pai é o “único Deus verdadeiro” (17:3, 5:44) e que ele mesmo não era Deus, mas o Filho de Deus (João 10: 36), e por outro lado, que ele, Jesus, é também um ser incriado? Será que ele quis definir seu status dentro das categorias reconhecíveis do Antigo Testamento (João 10:36, Sl 82:6; 2:7), apenas para representar um enigma insolúvel dizendo que ele estava vivo antes do nascimento de Abraão? Não seria mais sensato ler João 8:58 à luz da declaração de Jesus em 10:36 e no resto da Escritura?

É um fato bem conhecido que as conversas entre Jesus e os judeus foram muitas vezes de forma contraditória. Em João 8:57 Jesus não tinha, de fato, dito como os judeus pareciam pensar, que ele tinha visto Abraão, mas que Abraão exultou por ver o dia do Messias (v. 56). O patriarca estava esperando surgir na ressurreição no último dia (João 11:24; Mat 8:11) e tomar parte no reino messiânico. Jesus estava afirmando superioridade a Abraão, mas em que sentido?

Observem – novamente – que o “Cordeiro de Deus” tinha sido “crucificado antes da fundação do mundo” (Ap 13:8, NVI; 1 Pe 1:20), sendo que, evidentemente, o que ocorreu de forma não literal, pois Jesus foi crucificado em 33 dC sob o governo de Pôncio Pilatos, mas no plano de Deus desde antes da fundação do mundo.  Desta forma também Jesus “era” antes de Abraão. Assim Abraão podia olhar para frente, para a vinda do Messias e seu Reino. O Messias e seu reino, portanto, “preexistiam” no sentido de que eles foram “vistos” por Abraão através dos olhos da fé.

Uma leitura honesta de “eu sou” em João 8:58 simplifica o entendimento, revelando positivamente que o significado não é “eu sou Deus.” E, também não é, como tantas vezes alegado, o nome divino de Êxodo 3:14, onde o Senhor declarou: “Eu sou o auto existente” (EGO EIMI HO ON, que é traduzido para o Inglês como “Eu sou o Ser”) Jesus aqui em João não defendeu nenhum título. A tradução apropriada de ego eimi em João 8:58 é: “Eu sou aquele“, ou seja, o Cristo prometido (cf. a mesma expressão em João 4:26, “Eu, que falo contigo sou ele [o Cristo]”). Antes que Abraão nascesse Jesus tinha sido “conhecido” (cf. 1 Ped. 1:20). Jesus aqui faz a afirmação estupenda do seu significado absoluto no propósito [plan0] de Deus.

Vamos consultar outra parte do mesmo contexto em discussão de João 8, que diz como segue:

24      Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.

25        Disseram-lhe, pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse.

26       Muito tenho que dizer e julgar de vós, mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele tenho ouvido, isso falo ao mundo.

27        Mas não entenderam que ele lhes falava do Pai.

28      Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou.

29        E aquele que me enviou está comigo. O Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada.

Jesus não estava dizendo que ele era “o Grande Eu Sou” . Ele estava simplesmente dizendo: “Eu sou aquele“, que ele definiu no v.25 como aquele “que já desde o princípio vos disse [que era]”. Ele estava dizendo o tempo todo que ele era o Filho de Deus, não Deus em carne. E o versículo 28 esclarece de maneira bem simples todo o contexto: “Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou“.

O Filho do Homem é um título para o Messias que se originou em Daniel, e foi um título que Jesus muitas vezes usou para si mesmo. Ele usa isso aqui, acrescentando: “Eu sou aquele” ( ego eimi ). Ele também usou a frase “Eu (que falo com você) sou ele” em João 4:26, quando ele se identifica como o Messias que viria. Filho do Homem e Filho de Deus são títulos messiânicos, bem como “Messias” em si, os quais se referem  àquele que estava para vir e declarar a vontade de Deus,  bem como oferecer-se como o sacrifício final. Este é quem  Jesus dizia ser.

Leia também outro tópico vibrante, que esclarece com argumentos interessantes a tese aqui apresentada. Entenda a surpresa de Tomé ao ver o Senhor ressuscitado. Clique aqui Meu Senhor e meu Deus!

Anúncios