PORQUE este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo… Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” Hebreus 7:1-3.

Melquisedeque era “sem mãe, sem pai, sem descendência”, ou como a tradução de Phillips diz: “Ele não tinha pai nem mãe nem árvore genealógica?”

Ele não nasceu como os outros seres humanos? Ele realmente não teve pai e nem mãe? Isso significa que os registros de nascimento de Melquisedeque foram perdidos? Sem tais registros, os sacerdotes humanos não poderiam servir (Esdras 2:62). Então, como ele serviu? Mas, se Melquisedeque não tivesse genealogia, ele não deveria ter sido um mortal comum. Se ele não tinha descendência então era auto-existente? Note o que o escritor de Hebreus diz: “Não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hebreus 7: 3). O que há de errado?

No entanto, Melquisedeque não pode ser Deus o Pai, pois ele era o “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14:18). E mais, diz que os Sumos Sacerdotes são “tomados dentre os homens” (Hb 5:1). Além disso, as Escrituras dizem que nenhum homem jamais viu a Deus (João 1:18, 5:37), mas Abraão viu Melquisedeque. Ele não pode ser Deus o Pai, mas sim “feito semelhante ao Filho de Deus; permanece sacerdote continuamente” (Hebreus 7: 3).

E ai está! Nos dias de Abraão, Melquisedeque não podia de forma alguma ser o Filho de Deus, pois Jesus ainda não havia nascido da virgem Maria. E, se alguém entende que a manifestação de Melquisedeque era uma teofonia do Senhor Jesus (Uma teofania é um ensinamento ou uma TEORIA de que um Deus “pré-encarnado”, o Filho, desceu do céu durante os tempos do Antigo Testamento e apareceu em diferentes formas) então deve admitir que o Verbo se fez carne várias vezes nos tempos do Velho Pacto.

O escritor de Hebreus usa este incidente de Melquisedeque (junto com uma profecia do Salmo 110), para demonstrar a superioridade do sacerdócio de Cristo à do sistema levítico (Hb 7: 4-10). Além disso, havia algumas semelhanças entre Melquisedeque e Cristo, de modo que se pode dizer que o primeiro era um “tipo” (uma imagem ou pré-visualização simbólica) de Jesus. Isso não significa, no entanto, que eles eram a mesma pessoa. De fato, o texto sagrado indica o contrário. Foi dito que Cristo era um sacerdote “da ordem de Melquisedeque” (Hb 5: 6,10; 6:20; 7:11). O termo grego para a palavra “ordem” sugere um “arranjo” similar. Por exemplo, assim como Melquisedeque era tanto um rei quanto um sacerdote simultaneamente, assim também Cristo é (cf Zc 6: 12-13; Hb 1: 3).

Melquisedeque foi “sem pai, sem mãe” (Hb 7: 3a). O significado é o seguinte: seu papel divino não foi derivado genealogicamente, nem transmitido de seus pais. Assim, nem o sacerdócio de Jesus foi determinado por uma linhagem física, como no caso dos sacerdotes levitas. De fato, no texto, Melquisedeque difere dos sacerdotes levíticos, pois nada é dito sobre seu nascimento, ascendência ou vida subsequente. Não devemos concluir que o escritor pensava que Melquisedeque era literalmente uma figura eterna – e certamente não que ele fosse algum tipo de pré-encarnação de Jesus. Melquisedeque é comparado ao Filho de Deus, no sentido específico de que ele “permanece um sacerdote para sempre”. Sabemos sobre os pais de Jesus, conhecemos as genealogias, sabemos que ele era descendente de Davi segundo a carne (cf. Rm 1: 3). No que diz respeito ao seu passado, ele não é como Melquisedeque.

Jesus foi “designado” sumo sacerdote por Deus porque “aprendeu a obediência pelo que sofreu” e foi “aperfeiçoado” (Hb 5: 8-10). Isso não faz sentido algum se Jesus, como algum tipo de sumo sacerdote eterno, já era Deus. Jesus se torna um sacerdote através do poder da ressurreição, pelo poder de uma “vida sem fim” (Hb 7:16). Ele foi apontado como sumo sacerdote (Hb 5: 5). Ele não era um sumo sacerdote antes de sua morte e ressurreição, portanto, nenhuma alegação pode ser feita com base nessa analogia a respeito de sua preexistência. Que Jesus viveria para sempre não é parte do argumento de que ele já vivia para sempre antes de sua existência terrena. Como um sacerdote humano segundo a ordem de Melquisedeque, ressuscitado dentre os mortos, Jesus foi adiante como um “precursor” em favor daqueles que também sofrerão e serão justificados por ele (6: 19-20).

Melquisedeque é um “tipo” de Jesus aqui apenas em um aspecto: ele continua como um sacerdote para sempre, que é um elemento na convergência dos temas sacerdotal e real. As outras declarações feitas não fazem parte da tipologia ou analogia – claramente não, já que Jesus tinha uma mãe e uma genealogia, de fato, duas genealogias. Você não pode ter uma genealogia e ser eterno. Então o escritor não está dizendo aqui que Jesus também não teve começo de dias. Isso não pode ser usado como argumento para a divindade ou preexistência de Jesus.

E, ao dizer que Melquisedeque foi sem “princípio de dias” e “fim da vida” (Hb 7: 3b) deve apenas significar que seu sacerdócio não era para um termo fixo (como no caso dos sacerdotes levíticos). Sob o regime do Antigo Testamento, os sacerdotes iniciavam seu serviço aos 30 anos e os levitas serviam de 30 a 50 anos (cf. Nm 4: 3 ss; 8: 24-25).

Aparentemente, no entanto, não havia limitação cronológica com referência a este “sacerdote do Deus Altíssimo” que reinou em Salém, alguns podem reclamar. Mais uma vez, a esse respeito, ele prefigurou Cristo, que serve continuamente como nosso sacerdote durante toda a era cristã. Que Melquisedeque não era a mesma pessoa que Jesus é evidente quando se diz que ele é “semelhante ao” Filho de Deus (Hb 7: 3c). A ênfase se tornaria irrelevante se as duas pessoas fossem iguais em identidade.

Leia com atenção o artigo a seguir para que você tenha uma ampla visão do assunto. Os créditos são para o apologista Valdomiro Filho.

PORQUE este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo… Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” Hebreus 7:1-3.

Será que Hb. 7.3 está ensinado sobre a eternidade de Jesus?

Para responder a essa pergunta precisamos entender o que o contexto quer dizer.

A Bíblia está textualmente dizendo que Melquisedeque não tinha pai, mãe ou genealogia, sem início de dias ou fim de dias, sendo semelhante ao Filho de Deus.

Se querem ver eternidade plena de Jesus nessa passagem precisarão considerar PRIMEIRO que Melquisedeque seria eterno também, pois note que é dele (Melquisedeque) que se fala não ter pai, mãe ou genealogia, princípio ou fim de dias. Ali também se diz “permanece sacerdote para sempre”, mas não é de Jesus que se diz isso, é de Melquisedeque que se diz “permanece sacerdote para sempre”. Não poderão alegar que Melquisedeque é Jesus preexistente, porque dele se diz ser semelhante ao Filho de Deus, ou seja, são dois seres distintos postos em paralelo. Um para mostrar legítimo o sacerdócio do outro. Assim, algumas perguntas, de cara, fazem-se necessárias:

  1. Melquisedeque realmente não tinha pai, mãe ou genealogia?
  2. Ele não tinha início ou fim de dias?
  3. Ele permanece sacerdote para sempre?

Ao que parece, querendo afirmar que Jesus é eterno, usam a passagem referente a Melquisedeque, mas esquecem que o que foi dito, foi dito do próprio Melquisedeque e depois houve comparação de, ou com Jesus.

Então, em que Jesus é semelhante a Melquisedeque? Será na eternidade de Melquisedeque?

A explicação começa a ser delineada na sequência do texto bíblico.

Hb 7:4 “Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos”. Se falou de Melquisedeque nesses termos para mostrar que apesar de desconhecido, ele era, pelo ato de Abraão, evidentemente, grande em dignidade.

Em seguida lemos Hb 7:6 “Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas. ” Aqui temos uma informação importantíssima: Melquisedeque é aquele cuja “GENEALOGIA NÃO É CONTADA ENTRE ELES”. Ou seja, o que se quis dizer antes foi que Melquisedeque não tinha genealogia entre os Levitas e não que ele fosse eterno. O destaque é que não existe o registro de seu nascimento e de sua morte: “sem início ou fim de dias”. O que se quer dizer é que nada se sabe sobre ele que o tornasse merecedor do sacerdócio. Ou seja, é alguém que apesar de não ser contado entre os levitas (não existia registro algum de sua vida) era tão importante que recebeu dízimo dos levitas que estavam, em semente, nos lombos de Abraão que efetivou a dádiva. É esse sacerdócio não preso às amarras da lei (a lei determinava uma outra base para o sacerdócio), que faz de Melquisedeque, por direito, sacerdote para sempre, o que não quer dizer que o próprio Melquisedeque tenha vivido pela eternidade. O que em está causa é o mérito.

A semelhança falada ali não é com a suposta ETERNIDADE de Melquisedeque, mas com o fato de ele não ser contado entre os que cabiam o sacerdócio e mesmo assim ser legitimamente sacerdote.

O foco de todo o contexto é a legitimidade e superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico a partir da comparação do sacerdócio de Melquisedeque que não era descente da tribo de Levi.

No contexto não se trata da eternidade; nem a de Melquisedeque, nem a de Jesus. E nem a eternidade de Jesus é ventilada, mesmo que indiretamente, pois se o fosse, então, estaria estabelecida também a eternidade de Melquisedeque.

É um verso que é fácil de descontextualizar quando se tem o propósito de por Jesus como ente eterno. Mas se esquecem que ali se falasse de eternidade, o que não é o caso, estaria falando primeiramente da eternidade de Melquisedeque, como reiteradas vezes falei. Mas, como vimos o objetivo foi falar da ausência genealógica ou registro de nascimento e morte daquele sacerdote, o que o tornaria um estranho e indigno da função aos olhos dos judeus, que só surgiriam posteriormente. Mas quando Abraão, o maior dos patriarcas, dá o dízimo a ele, revela e legitima sua grandeza e dignidade. É nesse comparativo de grandeza e dignidade, sem estar no rol dos levitas, que ele é posto em paralelo ao Filho de Deus.

Ver ali um ensino sobre a eternidade de Jesus decorre de uma leitura apressada do verso bíblico.

Autor: FILHO, Valdomiro

Postado originalmente em Unitarismo Bíblico: Hb. 7.3 e a eternidade de Jesus (?)

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