Jesus não era o Pai

Eu costumava acreditar que Jesus era Deus quando aqui andou. Eu fazia uma mistura impressionante que me levava a não questionar quem na verdade morreu por mim, se foi o Pai ou se foi o Filho. Era uma espécie de mistura confusa, que eu segurava com unhas e dentes para manter a unidade doutrinária convencional e não tocar na trindade. Eu acreditava naquela velha fábula cristã que afirma ter sido Jesus 100% Deus e 100% homem.  Eu, como milhões de cristãos, não admitia a humanidade total de Jesus. Na verdade eu estava tão distraído com alguma coisa sobre escatologia e fim do mundo, que não questionava absolutamente nada que viesse contrário a ser Jesus o outro, ou seja, que ele e Deus eram dois. Eu nem mesmo percebia que os versos mostrando ser Jesus o Filho de Deus, superam em muito a pouca quantidade de versos que a multidão unida tenta usar para provar que Ele é Deus.

Depois de um monte de reconciliação e de comparação de Escrituras com Escrituras, descobri que Jesus foi chamado de Deus no sentido de um embaixador Salvador, pois esta é uma das definições de suporte para “theos” no léxico grego. Então, Ele é como um general ou comandante, mas que também tem um Comandante Geral sobre ele, que é o Pai, e que eles não são uma e a mesma coisa, mas que o Pai tem o título verdadeiro. Apocalipse 1:5-6, por exemplo,  diz,

“E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém”.

É incrível como a maioria dos cristãos, após  2000 anos da revelação do “testamento final” de Deus,  ainda não estão conscientes de que Jesus e Deus não são a mesma pessoa. Para começar, observamos como Jesus e Deus estão aqui separados, e que, não foi Deus quem veio a esse mundo, mas sim seu Filho,

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. João 17:3

Abaixo seleciono alguns versículos que claramente separam Jesus de Deus

2 Cor 1:3  Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação.

2 Cor 11:31 o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto.

Ef 1:3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo.

Ef 1:17 que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.

A Bíblia diz que Jesus considerava a si próprio e Deus como dois

“… crede em Deus, crede também em mim”, (João 14:1).

Diante dos judeus Jesus mesmo diz que não era Deus, mas o Filho de Deus

João 8:24-28 “… Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse. Muito tenho que dizer e julgar de vós, mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele tenho ouvido isso falo ao mundo. Mas não entenderam que ele lhes falava do Pai. Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou.

João 14:10 crês tu não que eu estou no Pai, e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, é quem faz as obras.

João 10:36 Dizei a ele, a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, Blasfemas Tu, porque eu disse, eu sou o Filho de Deus?

Se Jesus nunca se identificou como Deus, como seus contemporâneos o identificaram?  Em mais de  40 vezes nos evangelhos o próprio Deus, homens, mulheres, anjos e demônios  proclamaram  que Jesus é “o Cristo” ou “o Filho de Deus.” Não vou detalhar  todos as passagens, mas apenas aquelas mais conhecidas. Estes são os  títulos mais importantes espalhados por todo o Novo testamento sobre Jesus:

• Gabriel – “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1,32).

• Deus – “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3,17 ).

• João Batista – “Eu vi e testifico que este é o Filho de Deus” (Jo 1,34 NVI).

• Natanael – “Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel” (Jo 1,49).

• O diabo – “Se és o Filho de Deus” (Mt 4,3, 6 par.).

• demônios – “Tu és o Filho de Deus” (Lc 4,41, e “eles sabiam que Ele era o Cristo”).

• espíritos imundos – “Tu és o Filho de Deus” (Mc 3,11).

• Os discípulos no barco – “Você é certamente o Filho de Deus” (Mt 14,33).

• Pedro – “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16).

• Marta – “Eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Jo 11,27).

• O Centurião – “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27,54).

Em duas referências citadas acima, observamos a confissão de Satanás e dos espíritos imundos. Eles sabiam com quem estavam se envolvendo. Eles sabiam que ele não era o próprio Deus de Israel em pessoa. Eles estavam no céu com Deus e sabiam muito bem quem era o Pai e quem era o Filho,

Lucas 4:41 “E os demônios também de muitos saíam, clamando e dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele repreendendo-os não lhes permitiu falar, pois sabiam que ele era o [ Messias ] Cristo”.

Todos esses exemplos mostram que o Messias não pode ser o Senhor Deus de Israel. Vejamos um outro exemplo que o Judaísmo considera como  mais proeminente em suas Escrituras, que em verdade  está entre os mais  frequentemente citados do Antigo Testamento no Novo Testamento.  Um salmo composto pelo  rei Davi. Ele escreve no Salmo 2, “Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido…” (v. 2;. cf At 4,26-27).

Assim, O Senhor e seu Messias são vistos separados como duas pessoas. Alguns versículos adiante, o Senhor chama esse ungido “Rei Meu” e “Meu Filho” (vv. 6-7).

Em suma, todos esses textos explicitamente separam  o Messias de Deus. Assim, de acordo com  os Evangelhos  Jesus sempre pensou e falou de um Deus, o Deus de Israel, como alguém diferente de si mesmo. Observe por exemplo no Evangelho de João; Jesus claramente pregava que as pessoas devem vir a Ele a fim de chegar a Deus. Ele disse: “Eu sou o caminho, … para o Pai” (Jo 14,6). Jesus também declara no mesmo Evangelho que Ele veio para mostrar às pessoas a Deus (Jo 14,6-10). Na verdade, a alegação principal de Jesus sobre si mesmo era que Deus estava  presente no seu ministério. Assim, de acordo com Jesus, Ele não era Deus, mas revelador do Deus que habitava nele através do Espírito Santo. Deus em Cristo não é o mesmo que Cristo é Deus.

Os debates são infindáveis, e aqueles que querem transformar Jesus no próprio Deus se embolam nos seus argumentos confusos; será que tentam dizer que Jesus era o Pai? Não seria coerente  aceitar a ideia de que quando um cristão mostra na Escritura que Jesus Cristo é o Senhor está tentando provar que Jesus é o Pai. Ora, as  Escrituras fazem distinção entre as duas pessoas, especialmente as que dizem que Jesus é o “Filho de Deus”.

A Bíblia diz que Jesus não se considerava igual a Deus e que Deus realizou milagres através de Jesus. E o contexto esclarece que Jesus foi mesmo um homem,

“Mas quando as multidões, vendo isso, eles ficaram impressionados, e glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.” (Mateus 9:8).

“Um homem aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou através dele no meio de vós.” (Atos 2:22).

“Ele passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele.” (Atos 10:38).

Se Cristo era Deus, a Bíblia simplesmente diria que Jesus fez os milagres sem fazer referência a Deus. O fato de que foi Deus quem fornecia O PODER para os milagres mostra que Deus é maior do que Jesus. E não apenas isso, mas observem como um contexto pode ficar absurdo e sem sentido – supondo que Jesus era Deus quando aqui andou, vamos tentar fazer  um trocadilho de nomes neste versículo:

“E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás. E vivia entre as feras, e os anjos o serviam“, (Marcos 1:13).

A passagem todos conhecem. Fala da tentação de Jesus no deserto. Somente alguém destituído de cérebro  poderia concordar  que “DEUS FOI TENTADO PELO DIABO”. Ora, se Jesus era mesmo Deus quando aqui andou e foi tentando pelo diabo, então as Escrituras acabam em tremenda contradição, pois ela mesmo garante que “ Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta”, Tiago 1:13.

Como poderia as Escrituras dizer que Deus foi tentado como nós?

“Tentado em todos os sentidos, assim como nós somos” (Hb 4:15).

“… Porque Deus não pode ser tentado pelo mal” (Tiago 1:13).

Uma vez que Deus não pode ser tentado, mas Jesus foi, portanto, Jesus não era Deus.

Se alguns estão tentando mostrar na Bíblia que Jesus Cristo é Deus, devem ser claros. Se não estão tentando provar que Jesus é Deus, o Pai, mas que Jesus realmente possuía a natureza de Deus enquanto aqui andou, que apresentem as evidências! Ora,  se Jesus não tinha a natureza de Deus, mas a de Adão, sendo homem como nós, e não divino, logo, Ele não era [um] Deus. E se Jesus e Deus são vistos separados, então nada pode ser feito.

A Bíblia diz que os ensinamentos de Jesus eram de Deus, não de si mesmo.

“Então Jesus respondeu-lhes e disse: “Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (João 7:16). Jesus não poderia ter dito isso se ele fosse Deus, porque a doutrina teria sido sua.

Quem espalhou a velha heresia de que Jesus era o próprio Deus, com toda sua divindade, foi o “Modalismo”, refutado bravamente por alguns dos primeiros pais da igreja, especialmente Tertuliano. Modalismo é a crença de que Jesus e o Pai, literalmente, são a mesma pessoa e que não há distinção entre eles. No entanto, como explicado no artigo exposto, o Deus Todo-Poderoso (o Pai) e Jesus são claramente duas pessoas distintas.

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