Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir”, 1 Pedro 1:10, 11.

No versículo 10, Pedro nos revela que os profetas do Antigo Testamento que escreveram sobre a salvação vindoura pela graça de Deus não a compreenderam completamente. Eles pesquisaram e fizeram perguntas sobre isso.

Ele continua a frase no versículo 11: Os profetas queriam conhecer a “quem” e “quando” o Espírito de Cristo se referia à medida que eles eram direcionados para escrever as palavras de suas profecias. Quem seria a pessoa que traria essa salvação, o Cristo que sofreria e depois seria glorificado? E quando isso aconteceria? Os capítulos 11 e 53 de Isaías são exemplos dessas profecias.

No versículo 12, Pedro nos dá a resposta que receberam, mas o versículo 11 é importante. É uma declaração clara de que os profetas do Antigo Testamento não estavam escrevendo suas próprias ideias – O Espírito Santo os dirigia enquanto escreveram as próprias palavras de Deus. É uma verdade que Pedro indicará ainda mais claramente em 1 Pedro 1: 21: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”.

Pedro não faz menção à preexistência de Cristo.  Os fatos contextuais nos mostram também que o Espírito de Cristo “neles” se refere ao que esperavam, o Messias prometido e profetizado desde  Gênesis 3:15.   Ou seja, o “Espírito de Cristo que neles estava” não era Cristo neles de forma literal como um ser preexistente.  Não significava o espírito de Cristo como nova criatura ou um Jesus que existia antes de descer a terra.

Necessário aqui lembrar que o Espírito Santo, que foi dado a Jesus pela primeira vez no Jordão, nunca foi dado a ninguém antes da sua glorificação, isto é, não antes do Pentecostes (João 7: 39). Aqui em 1 Pedro 1: 11 a expressão deve significar, evidentemente, outra coisa, ou seja, o poder de revelação profética concedido aos profetas pelo próprio Deus sobre o Messias. Neste caso, Pedro aplicaria o termo “espírito de Cristo” de maneira retrospectiva a esses profetas.

Esses profetas estavam investigando o que, ou o tempo em que o Messias apareceria, e ao mesmo tempo estavam testemunhando de antemão os sofrimentos de Cristo e as glórias a seguir. Parafraseando isso de forma diferente, enquanto esses profetas procuraram conhecer muitas coisas sobre o Messias, o que realmente lhes foi revelado era o sofrimento que o Messias devia suportar e as glórias a seguir.

Também não devemos pensar que Pedro estava dizendo que os profetas entendiam plenamente o que estava sendo falado através deles. Todos profetizaram sobre o Messias vindouro, mas a manifestação não era para eles, mas para os apóstolos a quem o espírito da verdade havia sido dado, pelo qual foram conduzidos a toda verdade. Veja o verso 12: “Aos quais (aos profetas) foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar”.

Uma leitura mais atenta do versículo 11, e uma breve revisão do contexto imediato revela a verdade do assunto: “Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir”. Pedro descreve como os profetas profetizaram o futuro Cristo. Basta observar como ele se refere aos sofrimentos de Cristo e as glórias que se seguiram, uma referência a um futuro ser humano (Isaías 53). E neste contexto, o termo “Espírito de Cristo” refere-se a como o Espírito Santo revelou Cristo a eles, isto é, o que aconteceria no futuro em relação a Cristo. Na verdade, nas antigas profecias, Deus prometeu um Salvador que sofreria e depois seria glorificado. A vida, a morte e a ressurreição de Jesus realizaram as profecias.

Por outro lado, a expressão “espírito de Cristo” nunca aparece no Antigo Testamento. O “espírito do Senhor” ou “o espírito de Deus” aparece uma multidão de vezes, mas nunca o “espírito de Cristo”.

O espírito que Deus coloca sobre as pessoas assume nomes diferentes, pois se refere a diferentes funções. Isso pode ser comprovado. No entanto, o espírito é o mesmo. Deus sempre dá o Seu espírito, e então ele é nomeado como funciona. Quando está associada à sabedoria, é chamado de “espírito de sabedoria” (Ex 28: 3; Deut 34: 9; Efésios 1:17). Quando é associada à graça, é chamado de “espírito de graça” (Zac 12: 10; Heb 10:29). Quando está relacionado à glória, é chamado de “espírito de glória” (1 Pedro 4:14).

É chamado de “espírito de adoção” quando está associado à nossa vida eterna (Romanos 8:15, que é traduzido como “espírito de filiação” em algumas versões). É chamado “o espírito da verdade” quando está associado com a verdade que aprendemos pela revelação (João 14:17; 16:13). Estes não são espíritos diferentes. Efésios 4: 4 afirma claramente que há “um espírito” e esse espírito vinha com poder sobre alguns profetas no VT, revelando através de profecias que tomavam a forma escrita ou vinha através de poder dando autoridade para eles em ocasiões oportunas, e em nós hoje é concedido como dom permanente segundo a necessidade de cada um.

É errado ver 1 Pedro 1:11 como prova de que Jesus era aquele a quem Deus usava no Antigo Testamento para falar com os profetas; a Escritura não diz isso. Quem assim ensina deve antes considerar Hebreus 1: 1,2.

Quando Pedro menciona que “o espírito de Cristo” era sobre os profetas, porque “previam os sofrimentos de Cristo e a glória que seguiria”, não devemos entender que Cristo realmente existia como um ser divino durante o Antigo Testamento.

 

 

 

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