A Humanidade de JESUS

"Como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem", I Co 15:21

A Humanidade de Jesus

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Muitas pessoas não podem aceitar que um homem com a nossa natureza pecadora pudesse ter um caráter perfeito. Este fato é um obstáculo à real fé em Cristo. Não é fácil acreditar que Jesus era da nossa natureza, mas não tinha pecado no seu caráter e sempre venceu suas tentações. Para chegar a um entendimento e fé firmes no Cristo verdadeiro é preciso muita reflexão sobre os relatos do Evangelho acerca da sua vida perfeita, associada a muitas passagens bíblicas que negam que ele era Deus. É muito mais fácil supor que ele era o próprio Deus, e por isso, automaticamente perfeito, embora esta visão reduza a grandeza da vitória que Jesus conquistou contra o pecado e a natureza humana.

O versículo 5 e 13 de Hebreus 1 confirmam claramente que Jesus não era nem mesmo um anjo: “Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho? E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?

Jesus não foi um ser sobrenatural, mas foi exatamente como nós em todos os sentidos. Ele foi um homem que fez Deus real para os outros homens. Ele revela o que vai ser assim para nós quando Deus habita em nós, como ele fez em Jesus. Isso é uma boa notícia. Se é possível para um homem agradar a Deus, em seguida, os outros homens são deixados sem desculpa para o seu fracasso.

Grande parte do capítulo 1 de Hebreus compara o Filho de Deus com anjos, mostrando que o Filho nunca foi um anjo. O Filho não pode ser um anjo ou arcanjo como sustenta as Testemunhas de Jeová. Ambos os anjos e arcanjos são anjos! Jesus nunca foi um anjo, porque sumos sacerdotes são “escolhidos entre homens” (Hb 5:1). E santos anjos são imortais (Lucas 20:36), o que faria a morte de Jesus, o Filho, impossível.

A noção de que o Filho de Deus era de fato Deus, faria com que sua luta em obediência a Deus e em ser nosso substituto como Salvador, uma grande charada. O ponto inteiro de um Sumo Sacerdote, como foi dito anteriormente, é que ele deve ser “escolhido dentre os homens” (Hb 5:1). Ele é o “homem, o Messias”, em contraste com o seu Pai (1 Tm. 2:5). O Pai em João 17:3 é “o único que é Deus”. Deus é o único que é Deus, ninguém mais é Deus senão o Pai, que é exatamente o que Paulo declara quando estava ensaiando o credo em 1 Coríntios 8: “Não há Deus, senão um só Deus, o Pai” (compare vv. 4 e 6). Se o Filho fosse Deus, haveria dois deuses. Pode até parecer espiritual e real, chamar Jesus de Deus e o Deus Pai também de Deus, e por mais que a etiqueta possa ser aplicada, a Bíblia nunca usa “Deus” para significar um ser tripartido, ou mesmo bipartido.

O Humano

Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna” (Hb 5.7-9).

A exaltação do divino em detrimento do humano tem feito com que muitos neguem a humanidade de Jesus acreditando ter sido ele o próprio Deus em pessoa, ou mesmo um Deus, um ser divino, o homem celestial, o que ficaria fora de foco quando percebemos no relato acima que esse Deus aprendeu a obediência através do sofrimento.

Os relatos dos Evangelhos dão muitos exemplos de como Jesus tinha uma natureza completamente humana. Está registrado que ele ficou cansado, teve que sentar e beber de um poço (João 4:6). “Jesus chorou” na morte de Lázaro (João 11:35). Acima de tudo, o registro dos seus últimos sofrimentos deveria ser prova suficiente da sua humanidade: “Agora o meu coração está angustiado“, ele admitiu enquanto orava a Deus para salvá-lo de ter que enfrentar a morte na cruz (João 12:27). Ele “orou dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt. 26:39). Isto indica que, em algumas formas, a “vontade” ou desejos de Cristo eram diferentes dos de Deus.

Eu não posso fazer nada de mim mesmo; como ouço, assim julgo, e o meu juízo é justo, pois não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” (João 5:30).

Ele não tinha conhecimento completo, mas “crescia em sabedoria, em estatura (i.e. maturidade espiritual, cf. Ef. 4:13), e em graça para com Deus e os homens” (Lucas 2:52). “O menino cresceu, e se fortalecia... tornou-se forte em espírito” (Lucas 2:40). Estes dois versos retratam o crescimento físico de Cristo como sendo paralelo ao seu desenvolvimento espiritual

O fato de que Cristo teve que suplicar a Deus para salvá-lo da morte elimina qualquer possibilidade de ele e Deus serem uma, e a mesma pessoa. Depois da ressurreição de Cristo a morte “não tinha mais domínio sobre ele” (Rm. 6:9), implicando que anteriormente havia esse domínio.

– “Deus… ressuscitou a Jesus… Deus, com a sua destra, o elevou a Príncipe e Salvador” (Atos 5:30,31).

– “Deus… glorificou a seu filho Jesus… ao qual Deus ressuscitou dos mortos” (Atos 3:13,15).

– “Deus ressuscitou a este Jesus” (Atos 2:24,32,33).

– O próprio Jesus reconheceu tudo isto quando ele pediu a Deus para glorificá-lo (João 17:5 cf. 13:32; 8:54).

Se Jesus era o próprio Deus, então toda esta ênfase estaria fora de lugar, visto que o próprio Deus não pode morrer. A superioridade de Deus sobre ele é demonstrada no fato de que Deus exaltou Jesus – também se observa no texto a separação entre Deus e Jesus, ou seja, eles não eram as mesmas pessoas. De modo algum Cristo poderia ter sido “o próprio e eterno Deus com duas naturezas… Deidade e humanidade”, como declara o primeiro dos 39 Artigos da Igreja da Inglaterra. Pelo próprio significado da palavra, um ser pode ter apenas uma natureza.

Diferenças entre Jesus e Deus

Um dos resumos mais claros sobre a relação entre Deus e Jesus encontra-se em 1 Tm. 2:5: “Há só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem“.

Se há somente um Deus, então Jesus não pode ser Deus; se o Pai é Deus e Jesus também é Deus, então há dois Deuses. “Para nós há um só Deus, o Pai” (1 Co. 8:6). Da mesma forma o Velho Testamento retrata Yahweh, o único Deus, como o Pai (por exemplo, Is. 63:16; 64:8). Nós temos apenas um Pai no céu, não dois. Não existe nas Escrituras o termo Deus filho, mas apenas filho de Deus.

Portanto, somente um Deus. Além deste único Deus, existe o mediador, o homem Cristo Jesus – “…e um mediador…”. Aquela palavra “e” indica uma diferença entre Cristo e Deus.

Sendo Cristo o “mediador” significa que ele é um intermediário. Um mediador entre o homem pecador e Deus sem pecado não pode ser o próprio Deus sem pecado; tem que ser um homem sem pecado, de natureza humana pecadora. ” Jesus Cristo, homem” não nos deixa dúvida quanto a certeza desta explicação. Embora ele escrevesse depois da ascensão de Jesus, Paulo não fala de “Jesus Cristo, Deus”.

Muitas vezes somos lembrados que “Deus não é homem” (Nm. 23:19; Os. 11:9), embora Cristo fosse claramente “o filho do homem”, como freqüentemente ele é chamado no Novo Testamento, “Jesus Cristo, homem”. Ele era “o Filho do Altíssimo” (Lucas 1:32). Sendo Deus “O Altíssimo” isto indica que somente Ele tem grandeza final; sendo Jesus “o Filho do Altíssimo” mostra que ele não pode ser o próprio Deus em pessoa. A linguagem peculiar de Pai e Filho, que é usada sobre Deus e Jesus, torna óbvio que eles não São o mesmo.

De acordo com esta linha de pensamento, existem várias diferenças óbvias entre Deus e Jesus, que mostram claramente que Jesus não era o próprio Deus:

Deus não pode ser tentado (Tiago 1:13).

Cristo “em tudo foi tentado” (Hb. 4:15) como nós somos.

Deus não pode morrer. Ele é imortal por natureza (Sl. 90:2; 1 Tm. 6:16).

Cristo morreu por três dias (Mt. 12:40; 16:21)

Deus não pode ser visto pelo homem (1 Tm. 6:16; Ex. 33:20).

Homens viram Jesus e o tocaram (1 João 1:1 enfatiza isto).

O Deus de Cristo

Cristo é o cabeça de todo o homem, e o homem o cabeça da mulher, e Deus o cabeça de Cristo” (1 Co. 11:3).

Deus, o Pai, é freqüentemente declarado como sendo o Deus de Cristo. Deus é descrito como “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Pe. 1:3; Ef. 1:17)

Apocalipse, o último livro do Novo Testamento, foi escrito quase 60 anos depois da glorificação e ascensão de Cristo, e ainda fala de Deus como “seu (de Cristo) Deus e Pai” (Ap. 1:6). Neste livro, o Cristo ressurreto e glorificado transmitiu mensagens para os crentes. Ele fala do “templo do meu Deus… o nome do meu Deus… a cidade do meu Deus” (Ap. 3:12). Isto prova que Jesus, mesmo agora, pensa no Pai como seu Deus – e por isso ele (Jesus) não é Deus.

Durante sua vida mortal, Jesus relacionou-se com seu Pai de um modo similar. Ele falou da ascensão “ao meu Pai, e vosso Pai; meu Deus, e vosso Deus” (João 20:17). Sobre a cruz, Jesus demonstrou plenamente sua humanidade: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt. 27:46). Tais palavras são impossíveis de entender se ditas pelo próprio Deus. Além disso, o fato de que Jesus orou a Deus “com grande clamor e lágrimas” por si mesmo, indica a verdadeira natureza do seu relacionamento com o Pai(Hb. 5:7; Lucas 6:12). Evidentemente Deus não pode orar a si mesmo. Mesmo agora, Cristo ora a Deus por nós (Rm. 8:26,27 cf. 2 Cor. 3:18).

Aqui demonstramos que o relacionamento de Cristo com Deus durante sua vida mortal não era fundamentalmente diferente do que é agora. Cristo se relacionou com Deus como seu Pai e seu Deus, e orou a Ele; a mesma posição obtém agora, após sua ressurreição e ascensão. Durante a sua vida na terra, Cristo era o servo de Deus (Atos 3:13, 26 cf. a New International Version; Is. 42:1; 53:11). Um servo faz a vontade do seu senhor, e de modo algum é igual ao seu mestre (João 13:16). Cristo enfatiza que qualquer poder e autoridade que ele tinha eram de Deus e não dele mesmo: “Eu não posso fazer nada de mim mesmo…eu busco…a vontade do Pai que me enviou…o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma” (João 5:30,19).

A Natureza de Jesus

A palavra “natureza” refere-se àquilo que nós somos natural e fundamentalmente. A Bíblia fala somente de duas naturezas – a de Deus e a do homem. Por natureza Deus não pode morrer, ser tentado, etc. É evidente que Cristo não tinha natureza de Deus durante a sua vida. Logo, ele era de natureza totalmente humana. Pela nossa definição de “natureza” deve estar claro que Cristo não poderia ter, simultaneamente, duas naturezas. Era vital que Cristo fosse tentado como nós somos (Hb. 4:15), para que através da sua perfeita vitória sobre a tentação, ele pudesse alcançar o perdão para nós. Os desejos errados que são a base das nossas tentações vêm de dentro de nós (Marcos 7:15-23), de dentro da natureza humana (Tiago 1:13-15). Logo, era necessário que Cristo tivesse uma natureza humana tal que ele pudesse experimentar e vencer estas tentações.

Hebreus 2:14-18 esclarece: “Visto que os filhos (nós) participam da carne e do sangue (natureza humana), também ele (Cristo) participou (i.e. “tomou parte”, cf. a Revised Standard Version) das mesmas coisas (natureza); para que pela morte aniquilasse…o diabo…Pois na verdade ele não socorre a anjos; mas sim à descendência de Abraão. Pelo que convinha que em tudo fosse semelhante a seus irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote… a fim de fazer propiciação pelos pecados do povo. Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados“.

Esta passagem coloca extraordinária ênfase sobre o fato de que Jesus tinha natureza humana: “Ele também das mesmas coisas” tomou parte (Hb. 2:14). Esta frase usa três palavras, todas com o mesmo significado, apenas para esclarecer a idéia. Ele tomou parte “da mesma” natureza; o relato poderia ter dito “ele também tomou parte DELA”, mas enfatiza: “ele tomou parte da mesma“. Da mesma forma, Hb. 2:16 esclarece o fato que Cristo não tinha a natureza dos anjos, visto que ele era a semente de Abraão, que veio para trazer salvação à multidão de crentes que se tornariam semente de Abraão. Por causa disto era necessário que Cristo tivesse uma natureza humana. Em tudo ele devia “ser semelhante a seus irmãos” (Hb. 2:17) para que Deus pudesse nos assegurar perdão através do sacrifício de Cristo. Logo, dizer que Jesus não era totalmente de natureza humana, é ignorar os próprios princípios das boas novas de Cristo.

Quando crentes batizados pecam, eles podem se chegar a Deus através de Jesus, confessar seus pecados em oração (1 João 1:9); Deus sabe que Cristo foi tentado a pecar exatamente como eles foram, mas que ele era perfeito, vencendo a mesma tentação em que eles caíram. Por causa disto, “Deus, em Cristo” pode nos perdoar (Ef. 4:32). Assim, é vital considerar como Cristo foi tentado exatamente como nós, e precisava ter a nossa natureza para que isto fosse possível. Hb. 2:14 declara claramente que Cristo tinha natureza de “carne e sangue” para que isto pudesse acontecer. “Deus é espírito” (João 4:24) por natureza e, embora Ele tenha possa ter um corpo, como “Espírito” Ele não tem carne e sangue. Para Cristo ter uma natureza de “carne” significa que, de modo algum, ele tinha a natureza de Deus durante o tempo da sua vida.

Todas as tentativas anteriores dos homens para guardar a palavra de Deus, i.e. vencer totalmente a tentação, falharam. Por isso “Deus enviando seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa, e por um sacrifício pelo pecado, condenou o pecado na carne” (Rm. 8:3).

“Pecado” refere-se à propensão natural para pecar que nós temos por natureza. Nós já demos lugar a isto, e continuamos a fazê-lo, e “o salário do pecado é a morte”. Para sair deste apuro, o homem precisa de ajuda externa. Por si mesmo ele parece incapaz de alcançar a perfeição; não esteve e não está na carne o redimir a carne. Assim Deus interveio e nos deu Seu próprio Filho, que tinha a nossa “carne pecaminosa”, com toda a tendência ao pecado que nós temos.

Diferentemente de qualquer outro homem, Cristo venceu toda a tentação, embora ele tivesse a possibilidade de falhar e pecar da mesma forma que nós. Rm. 8:3 descreve a natureza humana como “carne do pecado”. Alguns versos antes, Paulo fala de como na carne “não habita bem algum“, e como a carne naturalmente milita contra a obediência a Deus (Rm. 7:18-23). Neste contexto é ainda mais maravilhoso ler que Cristo tinha “carne do pecado” em Rm. 8:3. Foi por causa disto, e da sua vitória sobre aquela carne, que temos uma forma de escapar da nossa carne; Jesus era profundamente consciente da sua própria natureza. Uma vez ele foi chamado de “Bom mestre”, querendo dizer que ele era “bom” e perfeito por natureza. Ele respondeu: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um só, que é Deus” (Marcos 10:17, 18). Em outra ocasião, os homens começaram a dar testemunho da grandeza de Cristo devido a uma série de espantosos milagres que ele realizou. Jesus não tirou proveito disto, “porque ele sabia tudo e não precisava de que alguém lhe testificasse do homem: pois ele sabia o que estava no homem” (João 2:23-25). Por causa do seu grande conhecimento da natureza do homem (“ele sabia tudo” sobre isto), Cristo não queria que os homens o louvassem pessoalmente com reconhecimento, visto que ele sabia quão má era a própria natureza humana.

Jesus tinha os medos que nós temos. Tinha medo quando os judeus tentavam achá-LO. Não devemos considerá-lo com um super-homem, mas perfeitamente homem. Nós O achamos falando na frente de todo mundo: “Tenho medo desta hora” (Marcos 14,35; João 12,27).

Ele era alguém como nós…

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