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Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei“, Gálatas 4:4.

Em sendo Jesus, Deus, segundo a teologia cristológica convencional, temos aqui a revelação bombástica de como Deus veio parar nesse mundo: “Nascido de mulher, nascido sob a lei”.

Mas, como são os nascidos de mulher, são deuses ou são humanos? Obviamente os nascidos de mulher fazem parte da raça caída – assim são todos os que foram gerados depois da queda. Portanto, Jesus também está incluído dentre os que foram nascidos de mulher. Ele, como o último Adão, veio na qualidade de ser humano, sem nenhum vestígio de natureza celestial. É o que o versículo a seguir afirma. E por sinal, é uma afirmativa muito séria, um significado abandonado pelos adeptos da doutrina do Deus homem:

Rom 6:6 “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado“.

O versículo sugere duas coisas importantíssimas: Que Jesus veio na qualidade de velho homem e que veio com o corpo do pecado. Se assim não foi, então ainda estamos em débito com Deus. Porém, a verdade explícita no contexto é que ele realmente se apresentou como nosso substituto; de outra forma ele não teria pago a dívida por nós. Nesse contexto não podemos atribuir a ele a natureza de Deus.

Portanto, o ultimo Adão, Jesus, acabou com a velha criatura por que representava a velha criatura. Ele não podia ter feito isso se viesse a esse mundo com a natureza dos céus. Assim, Jesus era só homem. Ou seja, ele foi totalmente humano. Em contrapartida, o efeito de todo o sacrifício e morte foi a criação do novo homem, criado em Deus e não por Mulher.

Efe 2:15 “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz“.

Efe 4:24 “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade“.

Na condição de representar o velho homem, Jesus adentrou neste mundo “…em semelhança da carne do pecado” (Rom 8:3), feito menor que os anjos, não possuindo a natureza de Deus. É exatamente isso que Paulo esclarece em I Coríntios 15:

40-43 E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres… Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor.

Jesus não foi exceção, pois ele também está incluído nessa seleção. Observe os versículos e você descobrirá que o corpo incorrupto só é dado após a ressurreição. Portanto, é muito simples entender que Jesus veio a esse mundo com um corpo igual ao dos nascidos de mulher, mas, como diz o texto, que como “… Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção” sabemos que ele “ressuscitou em glória”, e, somente a ele foi dado um nome que está acima de todo o nome.

45 Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.

Jesus foi feito Espírito vivificante porque ele ressuscitou dos mortos, o que ainda não ocorreu com Adão. E observe que Paulo chama Jesus de o “último Adão”. O verso seguinte atesta sobre a ordem que foi estabelecida,

46 Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual.

Aqui ele não está fazendo referência a Adão como o natural e a Jesus como o espiritual. O que o texto quer dizer é que, primeiro Jesus veio a esse mundo como o homem natural e depois foi revestido de um corpo espiritual.

O que tento explicar pode ser esclarecido melhor com dois versículos citados a seguir, que afirmam claramente que o homem natural, representado por Jesus, que também foi nascido de mulher, mudou toda a ordem das coisas nos dando livramento do pecado,

Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”.

Observe agora abaixo que são citados indiretamente dois homens, Jesus e Adão. Um deles, Adão, foi responsável pela entrada do pecado ao mundo, e o outro, Jesus, tirou os pecados do mundo,

Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos”.

Evidente que Jesus foi o único que não cometeu pecado. E o versículo apresentado acima também revela que são citados dois seres humanos e não um humano e um homem-Deus. O que é visto no texto é uma outra comparação entre Jesus e Adão. Não seria realmente justo sendo Adão um homem simples e Jesus a encarnação da divindade.

A ordem da criação apresentada abaixo também atingiu Jesus, que veio a esse mundo trazendo as sequelas dos caídos em Adão – ele não tinha duas naturezas, a divina e a humana.

Ora, o segundo homem foi criado em Deus, como dito no verso anterior de Efésios 4:24.

Não há dúvida, Jesus como nascido de mulher também foi alcançado pelo contexto apresentado abaixo em 1 Corintios 15:

47 O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.

48 Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais.

49 E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.

Aqui sabemos que Jesus, como todos nós, trouxemos para este mundo a imagem do homem terreno. Entretanto, como ele, nós também seremos revestidos do corpo celestial. Portanto, Jesus não veio a esse mundo trazendo a natureza de Deus, mas sim a natureza de Abraão (Heb 2:16). Como Jesus, que foi lembrado ser da semente de Abraão, outros também o foram:

Sal 105:6 Vós, semente de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus escolhidos. Não estamos tratando aqui de deuses, mas sim de seres humanos, nascidos de mulher.

Observe esse diálogo de quando o Senhor Jesus foi abordado por um jovem que lhe disse, “Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna“, ele poderia muito bem ter acrescentado: “Por que me chamas bom, dos nascidos de mulher não há nada bom, bom só Deus”, Marcos 10:18. O que Jesus esclarece aqui para este jovem é simplesmente que ele não era [um] Deus.

O Jesus judeu, o homem e carpinteiro de Nazaré, que cumpriu toda a lei, morreu para sempre. Pertencemos a outro,

ROM 7:4 Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo [ o ultimo Adão ], para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.

“… ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo”. 2 Co 5:16

Assim, todo o contexto citado até aqui revela Jesus como homem, nascido como foram todos nós, participante de uma semente corruptível. E o que é corruptível [terreno e humano] tem que se revestir de incorruptibilidade,

1 Co 15:54 – E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.

Esse foi o brado de Jesus, o qual Paulo bravamente diz que será dado pelos salvos. Jesus tragou a morte!

Resumo

Jesus nasceu aqui como o velho homem, e foi crucificado como o velho homem. Estas são afirmações que provocam diversas questões, entre elas uma extremamente curiosa e interessante: “Como o velho homem poderia ser divino?” Ora, se Jesus era da semente corruptível de Abraão, em que sentido era ele possuidor de divindade? Essa semente é a semente de todos os nascidos de Mulher:

Rom 1:23 “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível…”.

Heb 2:16 “Pois na verdade Ele [Jesus] não tomou sobre si a natureza de anjos, mas Ele tomou sobre si a semente de Abraão”

Como alguém poderia divinizar quem veio da semente de Abraão? Na verdade, nós fomos gerados de novo pelo Jesus incorruptível, e não do Jesus semente de Abraão,

1Pe 1:23 “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre“.

Por isso Paulo diz que o Jesus ressurreto é outro:

ROM 7:4 “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus“.

Efe 4:24 “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade“.

O Nascimento Virginal

A palavra grega usada para “homem” em João 8:40 e 1 Timóteo 2:5 é “anthropos”:

Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto”.

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”.

Um dos significados da palavra é para distinguir o homem de seres de uma ordem diferente. Por isso, Jesus chama a si mesmo uma palavra que separa Deus do homem, que distingue Jesus de Deus. Em outras palavras, Deus não é homem e o homem não é Deus. Jesus não veio a esse mundo com a natureza de Deus, a natureza celestial divina, mas na natureza de Adão, 1Co 15:45; 1Co 15:40; Heb 2:16.

Observe agora Atos 2:22: “Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis”.

A palavra grega para “homem” aqui é “aner”, que basicamente se refere ao sexo masculino. Também pode se referir tanto ao masculino como ao feminino. Então, Jesus é descrito como um homem (referindo-se a um ser humano) como qualquer outro ser humano. Ele nasceu de uma virgem, por obra e graça do Espírito Santo, mas que ainda fez dele um ser mortal, um humano, razão pela qual ele é descrito como um homem, que é como nós descreveríamos as pessoas normais. Infelizmente essa visão foi ofuscada pela avidez católica romana em querer a qualquer custo colocar Maria numa posição de proeminência quase exclusiva dentro da fé cristã.

Isso tudo criou uma tradição chamada de nascimento virginal, o que foi aproveitada pelo catolicismo para que tenazmente defendessem a veneração a Maria, enfatizando a pessoa da virgem muito mais do que a pessoa de Jesus. Acreditam eles que o nascimento virginal, eventualmente, pode ser considerado como a encarnação do divino. E, portanto, a natureza miraculosa do nascimento virginal foi pensada para confirmar que Jesus era Deus. No entanto, se o nascimento virginal miraculoso indica que Jesus era o próprio Deus, ou mesmo divino, é surpreendente, pois nem Mateus e nem Lucas dizem nas narrativas sobre seu nascimento se Jesus era mesmo Deus.

Na verdade, o anjo anunciou no nascimento que Jesus “é o Filho de Deus” (Lc 1:32-35), não por causa de uma pré-existência ontológica, mas por causa da sua concepção sobrenatural. Este milagre apenas sinalizou que ele iria ter uma relação especial com Deus. Assim, com efeito, a concepção de Jesus sendo realizado pelo Espírito de Deus é a base para identificá-lo como Filho de Deus, O Filho do Altíssimo, por causa da salvação que ele realizaria na história, não por causa de sua natureza intrínseca.

Logicamente, o nascimento virginal não indica que Jesus é Deus, simplesmente por causa de sua natureza milagrosa. O Milagre só aponta para uma origem sobrenatural. Deus fez um milagre causando a concepção virginal, mas isso não indica que o milagre em si é Deus.

Considere o primeiro homem, Adão. Aceitando os dois relatos bíblicos de sua criação como literal (Gn 2-3), então, como Jesus, Adão tornou-se um ser humano, devido à criação direta de Deus. No entanto, ninguém gostaria de sugerir que a origem sobrenatural de Adão faz dele Deus. Eu fico imaginado o estrago no catolicismo se Deus fizesse com Jesus o que fez com Adão, que foi cria-lo já adulto. Ou seja, como os judeus que o rejeitaram desejariam: que ele aparecesse milagrosamente do nada:

Todavia bem sabemos de onde este [Jesus] é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde ele é”, João 7:27.

Muitos tradicionalistas ainda insistem que o nascimento virginal é um elemento essencial da crença cristã. Em outras palavras, eles têm insistido que uma pessoa tem que acreditar no nascimento virginal a fim de ser um cristão genuíno. No entanto, não existe tal ensino o NT. Este silêncio é significativo nas duas narrativas do nascimento gravadas, mas especialmente nos sermões evangelísticos registrado em Atos e nos escritos do apóstolo Paulo, que surpreendentemente nem muita ênfase da à pessoa de Maria, quando afirma:

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”, Gal 4:4.

Nascido de mulher, nada mais que isso para tristeza dos católicos romanos. Acredito que alguns já se perguntaram por que Paulo não escreveu da seguinte forma,

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido da bem-aventurada, nossa digníssima mãe, Maria, nascido sob a lei”.

Além disso, o tema da concepção milagrosa de Jesus não indica que Jesus tinha uma natureza divina, tornando-o Deus.

Sua mãe e seus irmãos não sabiam que ele era Deus?

Jesus foi considerado “fora de Si” por sua mãe e seus irmãos, por quem também foi desacreditado; foi visto como enganador; foi abandonado por Seus seguidores e quase apedrejado certa ocasião; foi chamado de “beberrão” e de “endemoninhado”, além de “embusteiro”. Finalmente, foi crucificado como malfeitor.

A evidência por demais indigesta está em Marcos 3. O relato mostra Jesus dentro de uma casa enquanto lá fora chegam sua mãe e seus irmãos. Foram ali chamados, pois souberam que o Senhor fazia a maior algazarra expulsando demônios. Acreditavam que Deus (no caso aqui disfarçado de Jesus) estava fora de si, estava louco. Leia o relato:

Marcos 3

21 E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

Sem contar os escribas e fariseus que ousaram dizer que Deus (aqui como Jesus) estava endemoninhado!

22 E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios.

Por que ele foi tratado dessa forma por seus próprios familiares se estes o viam como o próprio Deus de Israel? E os escribas judeus que acreditavam piamente no Deus de Abraão, por que ousaram dizer tamanha blasfêmia de Jesus [Deus]?

Caro leitor, acredite, Jesus foi um homem e não um ser celestial, o homem que veio do espaço, um andróide disfarçado de ser humano ou mesmo o THOR! Isso mesmo, muitos confundem Jesus com um super herói vindo de outra galáxia, o Super Homem disfarçado de Clark Kent.

É lamentável…

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